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Gasolina mais barata, leite caro: veja por que a deflação faz pouca diferença para os pobres

Influenciado pela queda nos preços de combustíveis e energia elétrica, o país teve deflação de 0,68% em julho. É a primeira queda no indicador desde maio de 2020, quando o país estava no auge das medidas restritivas em razão da Covid, e a menor taxa já registrada desde o início da série histórica, iniciada em janeiro de 1980.

O alívio nos preços, porém, não afeta o orçamento das famílias da mesma forma. Enquanto a classe média percebe diretamente no bolso o impacto da queda de itens como gasolina e conta de luz, no orçamento dos mais pobres, a alimentação tem maior peso e segue em alta.

A aprovação do projeto que limita o ICMS, imposto estadual, sobre itens como combustível, energia e telecomunicações a 17% (ou 18%, dependendo do estado) teve papel crucial para que o IPCA registrasse deflação.

Quanto mais você desce na distribuição de renda, menor é o peso da gasolina na cesta. A queda na inflação foi mais forte para quem tem renda mais alta.
De outro lado, o grupo Alimentos e bebidas não deu trégua e acelerou de 0,8% em junho para 1,3%, acumulando alta de 14,7% em 12 meses.

A alimentação está acima da inflação média. Para cada compra que a família faz, ela leva cada vez menos itens para casa. Não podemos falar de redução da inflação quando ela não está acontecendo para as famílias de baixa renda. Os alimentos, que são o grande desafio, estão com inflação real — diz André Braz, economista e pesquisador do Ibre/FGV.

Levantamento da Suno Research mostra que itens da cesta básica — como café, óleo de soja, açúcar, margarina, leite e pão — acumulam altas de 17% a 66% em 12 meses.
Carolina Nalin e Camila Alcântara, O Globo