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SINPOSPETRO-RJ vai entrar na justiça para garantir direitos de frentistas demitidos

Sem qualquer justificativa, os donos do Posto Ventura, de bandeira Ipiranga, fecharam as portas neste mês, e demitiram todos os funcionários sem pagar as verbas rescisórias. Para esclarecer os trabalhadores sobre os seus direitos, o presidente do SINPOSPETO-RJ, Eusébio Pinto Neto, se reuniu nesta terça-feira (28), com os 24 trabalhadores na sede da entidade, em Vila Isabel.

Para garantir a indenização trabalhista do grupo, o Departamento Jurídico da entidade iniciou o levantamento do registro de cada profissional. Os trabalhadores foram dispensados no dia 3 de junho, com a baixa na carteira, e com a promessa de que as verbas rescisórias seriam pagas em parceladas, a partir do dia 13 deste mês, o que é proibido por lei, conforme determina o artigo 477 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Além de não pagar o salário e o ticket alimentação referentes ao mês de maio, o posto, que fica na Barra da Tijuca, deixou de recolher em alguns períodos o INSS e o FGTS dos funcionários. A maioria dos demitidos tem mais de dois anos de contratação.

No encontro, o presidente Eusébio disse que o sindicato não vai medir esforços para defender os direitos de todos os funcionários. Ele afirmou que entidade vai entrar na justiça para garantir o pagamento das verbas rescisórias, do seguro desemprego e da liberação do saque do FGTS.

O frentista Marcos da Silva Machado, que é sindicalizado e trabalhou 14 anos e 6 meses no posto Ventura, fez um desabafo emocionado sobre o momento. “Hoje estamos unidos, mas há pouco tempo muitos estavam do lado do patrão. É preciso acordar! O amigo é o companheiro de trabalho, de luta. Muitas vezes os colegas ignoraram o sindicato, mas, agora, é ele que está nos representando.

Lucas Camargo, de 20 anos, se sente decepcionado, pois no primeiro emprego de carteira assinada foi demitido sem direito a nada. Ele, que trabalhou no posto nove meses (três sem registrado), foi obrigado a voltar a morar com a mãe porque não tem mais como pagar o aluguel.

A demissão de Suelen Melo, de 26 anos, funcionária da loja de conveniência, foi mais cruel. Ela trabalhou por oito meses no posto e não teve seus direitos de grávida garantidos. Suelen disse que os patrões sabem da sua gestação de quatro meses.

IMPORTÃNCIA DO SINDICATO
Na conversa com os trabalhadores, Eusébio Neto, destacou a importância do sindicato para a categoria. Querendo ou não, na negociação com o patrão o representante do trabalhador é o sindicato. Sem a entidade de classe, os patrões não pagariam direitos. É preciso união para exigir que o valor do nosso trabalho seja maior. Nós só temos uma mercadoria de troca que é o trabalho, por isso cada soma é importante. Se o patrão não pagar uma hora extra e você deixar para lá, porque acha que não é muito, amanhã o patrão tira o seu salário. O trabalhador se sujeita a muita coisa para não perder o emprego. Temos que exigir do patrão cada centavo trabalhado, para que no futuro não nos falte o pão, completou.

O presidente do SINPOSPETRO-RJ frisou também que quem fortalece o sindicato é o trabalhador. Se a igreja não tem fiel ela não existe. Sem trabalhador o sindicato fica enfraquecido. O sindicato é a segunda casa do trabalhador, sendo associado ou não todos serão recebidos e defendidos, assim como vocês companheiros.

Por Estefania de Castro
Design e foto Mylena Campos