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Ameaça de desemprego não freou greves em 2021

Mesmo com as pressões promovidas contra os sindicatos pela Reforma Trabalhista e atenuadas pelo governo Bolsonaro, os trabalhadores não se intimidaram e continuam lutando por direitos. O Brasil registrou 721 greves em 2021. Desse total, 65% correspondem a paralisações na iniciativa privada. Os dados constam da pesquisa anual divulgada, nesta terça-feira (5) pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Em suas mobilizações, no ano passado, os trabalhadores das iniciativas privada e pública paralisaram 50% das atividades. A maioria das greves durou menos de 24 horas. Apenas 93 categorias estenderam os movimentos por mais de dez dias. A maior parte dos movimentos foi organizado no âmbito das empresas. Só 3% das paralisações conseguiram reunir mais de dois mil trabalhadores.

A pesquisa também constatou que as greves mais frequentes estão relacionadas a manutenção dos direitos.

INICIATIVA PRIVADA
Em 2021, foram detectadas 468 greves na iniciativa privada, contabilizando um total de 16 mil horas paradas. O setor de serviços registrou 88% do total de paralisações. Na iniciativa privada mais da metade das mobilizações encerraram no mesmo dia. Grande parte das greves (88%) foi organizada no âmbito das empresas. As principais reivindicações dos trabalhadores foram com relação ao atraso nos pagamentos de salário, décimo terceiro, férias e aumento no ticket alimentação. As regiões sudeste e nordeste registraram o maior número de mobilizações.

SERVIDOR PÚBLICO
No serviço público foram registradas 196 greves, nas três esferas da administração, contabilizando um total de 11 horas paradas. Os servidores municipais deflagraram dois terços dessas paralisações. Em 2021, mais da metade das greves no serviço público acabaram no mesmo dia.

AMEAÇA DE DESEMPREGO
De acordo com o DIEESE, a pandemia da COVID-19 levou ao aumento das mobilizações na esfera privada, principalmente dos serviços considerados essenciais. Também chamou a atenção a quantidade de greves encampadas por trabalhadores menos qualificados, empregados por empresas prestadoras de serviços. O risco de desemprego, em decorrência de algum gesto de retaliação da empresa, não foi suficiente para frear as mobilizações.

Por Estefania de Castro
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