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Morre Jô Soares, a genialidade da resistência

O Brasil perdeu na madrugada desta sexta-feira (5) um dos ícones da resistência contra a ditadura militar. Jô Soares, de 84 anos, morreu no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde o final de julho para tratar de uma pneumonia. Com reflexão e genialidade, Jô Soares contribuiu com textos humorísticos para o jornal de resistência “ Pasquim” trazendo suavidade aos anos de chumbo.

A causa da morte não foi divulgada. O enterro e velório serão reservados à família e aos amigos.

Em sua autobiografia, Jô citou que foi processado, em 1969, pelo regime militar por ter publicado um texto sátiro no Pasquim sobre as várias utilidades da cama. No livro, ele destacou a emoção de constar nos autos do processo, em sua defesa, uma carta de apoio, datilografada e assinada por Carlos Drummond de Andrade. O processo acabou sendo arquivado.

Jô escreveu para vários jornais e revistas e em seus textos ácidos criticava a ditadura militar. Ao ser questionado, em 2018, sobre a volta do regime militar, Jô Soares disse: “Eu sou gordo demais para pedir a volta do regime, estou fora.A pessoa que fala isso não tem ideia do que está falando e, além de tudo, é mal informada, porque poderia ler a respeito.”

Como humorista criou vários personagens satirizando os políticos de Brasília.

Ele foi ator de teatro, cinema e televisão, além de dramaturgo, roteirista, diretor, escritor e músico. Era um artista completo.
Jô Soares deixa uma lacuna na arte da resistência. Siga em paz, meu querido. E hoje ficamos todos com o Beijo do Gordo.

Por Estefania de Castro
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