Por uma questão de sobrevivência do movimento sindical e, quiçá, do Brasil como nação, temos que ir à luta como se estivéssemos na mãe de todas as batalhas para ganhar estas eleições. Não se trata de uma disputa eleitoral qualquer. Estamos diante de uma luta de classe que se desenrola em meio a uma guerra híbrida global.
Nela, o capital tenta sobreviver sob a liderança do império estadunidense, em decadência, que há mais de 200 anos impõe sofrimento aos povos e desrespeito à soberania das demais nações. Principalmente na América Latina, que é tratada como o “quintal” dos Estados Unidos, onde acreditam que podem explorar nossos recursos e despejar seu lixo à vontade.
Em momentos assim, vale repetir a frase do líder revolucionário Che Guevara: “prefiro morrer lutando do que viver de joelhos”. Essa frase não é retórica. É um chamado.
A classe trabalhadora sabe o que está em jogo. A democracia não é uma abstração. É o que garante sindicatos fortes, negociação coletiva, fiscalização do trabalho e o direito de lutar por salários justos. Sem democracia, não há liberdade de organização. E sem organização, não há conquistas para a classe trabalhadora.
Estas eleições colocam dois projetos em confronto. De um lado, Lula defende o fim da escala 6×1, a redução da jornada para 40 horas sem corte de salário, a valorização real do salário mínimo, o fortalecimento dos sindicatos, a fiscalização contra o trabalho precarizado e escravo, a regulamentação do trabalho nas plataformas digitais e a retomada do controle público sobre ativos estratégicos, como a Petrobras e a BR Distribuidora.
Do outro, Flávio Bolsonaro é contra o fim da 6×1, quer o contrato individual se sobrepondo ao acordo coletivo, jornadas de até 12 horas, congelamento do salário mínimo e mais flexibilização da reforma trabalhista. Quer que o trabalhador tenha a suposta “liberdade” de lidar sozinho com o patrão.
O que está em disputa é quem decide sobre o tempo e a vida de quem trabalha. Um projeto aposta na proteção, na negociação coletiva e na soberania nacional. O outro retoma a velha receita neoliberal, que transfere todo o risco para o trabalhador e entrega nossas riquezas aos interesses estrangeiros. Não podemos permitir esses retrocessos.
Que cada trabalhador e cada trabalhadora saiba identificar, nestas eleições, quem está do nosso lado. Nesta mãe de todas as batalhas, não podemos recuar. Ou defendemos a democracia, a soberania e os direitos, ou aceitamos viver de joelhos. A escolha é nossa.
Eusébio Luís Pinto Neto,
Presidente do Sinpospetro RJ
Presidente da Federação Nacional dos Frentistas (Fenepospetro)