Companheiros e companheiras trabalhadores dos postos de combustíveis e lojas de conveniência do Estado do Rio de Janeiro,
Cidadãos e cidadãs fluminenses que dependem do serviço essencial que nós prestamos,
Por meio desta, venho atualizar todos sobre o andamento da Campanha Salarial 2026 dos frentistas do Estado do Rio de Janeiro e contextualizar a realidade que temos enfrentado. É uma luta que, embora seja nossa, diz respeito a toda a sociedade que consome combustível e transita diariamente pelas estradas e ruas do nosso estado.
Na última quinta-feira, dia 20 de agosto, realizamos a quinta rodada de negociação com o sindicato patronal RJ Postos. Mais uma vez, a proposta apresentada pelos representantes das empresas foi insuficiente: 5% de reajuste salarial, 8,5% no tíquete-alimentação e apenas a reposição da inflação (INPC/IBGE, de 4,42%) no abono (PLR). Em defesa da categoria, o Sinpospetro RJ apresentou contraproposta exigindo ganho real significativo para os trabalhadores e trabalhadoras.
Diante da negativa patronal, convocamos assembleia geral da categoria, que será realizada de forma itinerante, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, em todos os postos do estado. Poucos dias antes da próxima reunião com o RJ Postos, marcada para 2 de setembro, queremos ouvir os trabalhadores e trabalhadoras, explicar a dinâmica da negociação e decidir, juntos, os próximos passos.
Mas por que estamos lutando com tanta firmeza?
Porque a realidade do frentista é de precarização permanente. Com base na proposta dos patrões, o reajuste salarial seria de apenas R$ 83,41 e haveria um acréscimo de meros R$ 29,97 no tíquete-alimentação – menos de R$ 30 reais mensais.
Para a sociedade, isso significa que aquele que abastece seu carro e cuida da sua segurança no posto recebe, em troca, uma remuneração que mal permite sustentar a própria família.
A categoria frentista exerce um serviço essencial: está nas ruas todos os dias, sob sol, chuva ou sereno, em ambiente de trabalho perigoso e insalubre, atendendo à população e garantindo que a frota do país continue funcionando. Durante a pandemia, fomos considerados essenciais e continuamos trabalhando normalmente, sem homeoffice, sem distanciamento. Mas, na hora de reconhecer esse trabalho com um salário digno, somos tratados como descartáveis – e a sociedade precisa saber disso.
E quanto ganha o dono do posto?
É importante que a sociedade compreenda o tamanho da desigualdade. O setor de revenda de combustíveis não está passando por dificuldades. Um posto de médio porte bem localizado em área urbana lucra em média R$ 50 mil limpos por mês, enquanto grandes unidades em rodovias podem ultrapassar R$ 100 mil de lucro mensal.
Enquanto isso, os frentistas que movimentam todo esse volume – operando as bombas, lidando com produtos perigosos, atendendo e fidelizando clientes – recebem um salário que, somados aos benefícios e encargos trabalhistas, custa ao patrão cerca de R$ 100 por dia. Menos do que custa encher um tanque de gasolina.
Assim, o dono de um posto lucra, em um único dia, o equivalente ao custo de 17 a 33 dias de trabalho de um frentista – ou seja, mais do que o trabalhador ganha em um mês inteiro em apenas um dia de operação.
A luta é por justiça
Cada litro de combustível vendido financia uma estrutura que concentra renda, enriquecendo poucos enquanto mantém a maioria na penúria.
Não estamos pedindo o impossível. Queremos apenas que o trabalhador que gera riqueza possa ter uma fatia justa dela. Queremos um reajuste que reponha a inflação e traga ganho real – porque a inflação do dia a dia, a do supermercado, é muito maior do que o INPC oficial.
A categoria está unida. A assembleia itinerante nos dias 31 agosto e 1º de setembro será o momento de mostrar nossa força. Convidamos a população a nos apoiar, a refletir sobre o valor real do trabalho que move o país e a exigir justiça onde ela é devida.
Fraternalmente,
Eusébio Luís Pinto Neto
Presidente do Sinpospetro RJ e da Federação Nacional dos Frentistas
Rio de Janeiro, 20 de agosto de 2026